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As cortinas do tabernáculo de Moisés: Seu valor espiritual e tipológico para vida cristã contemporânea

As cortinas do tabernáculo tipificam sobre a obra redentora de Cristo. O tipo bíblico é uma representação pré-ordenada, pela qual pessoas, eventos e instituições do Antigo Testamento prefiguram pessoas, eventos e instituições no Novo Testamento. Isto é, são figuras, ou lições pelas quais Deus nos ensina sobre seu plano redentor e de seus elevados propósitos para vida cristã. No tabernáculo havia uma coberta externa e as cortinas no interior. A coberta externa era feita de peles de animais marinhos (texugos ou golfinhos), afim de suportar as altas temperaturas do deserto.

Seguindo a ordem do exterior para o interior, temos a primeira cobertura – a pele de golfinho, que  por serem rústicas, quem olhasse a Tenda estando do lado de fora do Tabernáculo nada veria de especial a chamar-lhe atenção. Além de parecidas com o deserto – cuja areia elas retinham – eram simples e sem beleza. Esta primeira cobertura indica a pessoa de Jesus segundo Isaias 53.3. E de fato, quem olha a Cristo sem tê-lo antes conhecido e recebido como seu Salvador, nada podem ver de extraordinário. Somente o cristão que nasceu do alto, pode exclamar: “Vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai”  João 1.14.

A segunda cobertura peles de carneiro tintas de vermelho. Tipificam o sangue de Jesus derramado na cruz do. Um ponto a se destacar, também, era o desenho não expressava beleza exterior. A Crina de cabras. Está é a terceira cobertura, de onze cortinas de crina de cabras não tingida, indica a pureza da justiça de Cristo. João 8.46. Linho Fino. Finalmente, a quarta cobertura do santuário era constituída de dez cortinas de linho fino branco, com bordados primorosos em azul. Mas, uma vez nos deparamos aqui com o caráter celestial de Jesus, figurado na cor do céu, de onde Ele veio e para onde vai nos levar. João 14.1-3.

Os quatro véus que cobrem as quatro colunas de entrada da tenda, tinham cores especificas que apontavam figurativamente para os evangelhos:

  1. Púrpura. Esta cor se relaciona com a realeza e aponta para o evangelho de Mateus, que é o evangelho do Rei; ele se utilizou de 14 vezes a expressão filho de Davi, o famoso rei cuja descendência Deus prometeu perpetuar no trono de Israel. Segundo Zacarias 9.9 diz que o Messias viria como Rei.
  2. O carmesim. Enfatiza o sangue que aponta para o servo sofredor, para o Messias na cruz, conforme a profecia de Isaias 42.1. (Evangelho de Marcos). Ele apresenta Jesus como servo sofredor, tanto que, não trás por exemplo a genealogia de Jesus, porquanto um servo não possue genealogias.
  3. Linho branco. Aponta para o homem perfeito, para o caráter justo de Jesus. Aqui temos a referência do evangelho de Lucas, pois o apresenta como o filho do homem. Zacarias 6.12
  4. Azul. Sempre indica o céu ou aquilo que é celeste. E revela o propósito profundo de Deus, de conduzir o seu povo a uma constante atitude de comunhão. Assim, mediante o memorial das fitas azuis fixadas nas franjas das suas vestes, os israelitas deveriam lembrar-se da sua responsabilidade de obediência à lei do concerto do Sinai e de sua chamada para ser o povo santo do Senhor.

Diante dos significados expostos podemos entender que as coberturas, assim como as cortinas, tipificaram aspectos da vida de Cristo; que por sua vez é nosso padrão tanto na forma como no ser.

A vida cristã contemporânea

A vida cristã é cheia de grandes desafios em nosso tempo, porquanto além de lutarmos contra os desejos da carne, contra as potestades, ainda temos que vencer em face das novas tecnologias que por sua vez tem um poder de destruição global, instantâneo e fatal. Nas redes e mídias sociais temos comportamentos de psêudos-perfis cristãos expostos que são replicados e imitados e que mais tem a imagem do mundo do que a de Jesus.

Não há filtros, não há caminho proibido e nem muito menos temor de Deus dos crentes. Se olharmos atentamente para as redes sociais, veremos que ela apenas expõe pessoas em bons lugares, em belos restaurantes, em grandes eventos, com pessoas sorridentes, vestidas com as melhores roupas… Olhemos agora para uma das cores das cortinas do tabernáculo – o Carmesim. Não teria condição alguma de ter uma conta em uma rede social, nem de longe – Servo sofredor. Não há aplausos sofrer por Cristo, neste contexto.  Se pensarmos no azul, você ainda poderia me dizer, há temos “cultos” postados e que são verdadeiros. Será mesmo? A verdadeira comunhão não ocorre em vídeo ou fotos de cultos, mas de mentes transformadas, nascidas de novo que anda e vivem com Cristo dia após dia levando a sua cruz.

Agora, a cor purpura seria a mais aclamada nas redes sociais. Todos querem ser rei, mas não querem seguir os passos do verdadeiro rei Jesus Cristo. E assim, temos no linho branco o que realmente, deveríamos ser enquanto sociedade cristã em rede – viver a justiça do Cristo. Ser santo em nossa forma de clicar, postar, comentar e compartilhar.

Prof. Me Uilson Nunes
Prof. Me Uilson Nunes
Mestre em Letras pela Universidade Federal de São Paulo (2019), Pós-Graduado em Docência no Ensino Superior pela Universidade nove de Julho e Pós- Graduado no ensino de jovens e adultos pelo Centro Paula Souza e Ministério da Educação (MEC) por meio do programa Brasil profissionalizado, Graduado em Pedagogia (Uninove), Graduado em Letras - Licenciatura Plena Português e Inglês pela Faculdade de Filosofia Ciências e Letras Tibiriçá e Graduado em Teologia - Ciência da religião pelo Seminário Teológico Betel Brasileiro. Atualmente é professor titular de língua portuguesa e inglesa na Etec Bartolomeu Bueno da Silva - Anhanguera, coordenador de aplicação do vestibular Fatec Santana de Parnaíba e professor de teologia na FAESP e ETADEMP.

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